Na ilha da Madeira, o Dia de Reis (6 de janeiro) é vivido de forma muito especial, sobretudo pela tradição musical e comunitária, mais do que por rituais religiosos formais.
O Dia de Reis na Madeira é a tradição mais marcante em que grupos de pessoas (amigos, vizinhos, associações, grupos culturais) saem à noite, entre 5 e 6 de janeiro, a cantar de porta em porta.
Cantam modas tradicionais dos Reis, acompanhadas por instrumentos típicos:
Braguinha
Rajão
Viola
Acordeão
Os cantores anunciam simbolicamente o nascimento de Jesus e a visita dos Reis Magos.
Quem recebe os cantadores costuma oferecer:
Broas
Bolos caseiros
Vinho da Madeira
Licores
Ou simplesmente abrir a porta e ouvir os cantares do Dia de Reis.
É um momento de partilha, convívio e identidade madeirense.
Em freguesias, igrejas, centros culturais e praças.
Muitas câmaras municipais organizam noites de cantares de Reis, com vários grupos.
No Funchal a tradição do Cantar dos Reis no Jardim Municipal do Funchal atrai muita gente e turistas, e em zonas rurais é muito comum.
Curiosidades antigas que quase já não existem Letras tradicionais dos Reis (versões populares da Madeira)
“Ó da casa nobre gente
Se nos quereis escutar
Vimos cantar os Santos Reis
Para o Menino louvar”
“Já lá vão os três Reis Magos
Caminhando com devoção
Guiados por uma estrela
Até chegar a Belém”
“Nesta santa e feliz noite
Vimos dar-vos alegria
Cantando os Santos Reis
Com paz, amor e harmonia”
“Ó meu rico patrão
Deus lhe dê felicidade
Saúde, paz e alegria
Nesta casa e na sua amizade”
Estas quadras variam muito de:
Freguesia para freguesia
Grupo para grupo
Zona rural ou urbana
Muitas são passadas de ouvido, de geração em geração e são cantados em tom pausado e respeitoso
Na tradição antiga pedia-se licença para canta.
Batia-se à porta e cantava-se uma quadra a pedir autorização, se a porta não abrisse, seguia-se para a casa seguinte, sem insistir.
Não se cantava “a troco de dinheiro”, o espírito era partilha, não pagamento.
Ofereciam-se:
Broas, pão caseiro, fruta, vinho, licores caseiros.
Cantava-se muitas vezes à luz da candeia em zonas rurais, sem eletricidade.
Criava um ambiente muito íntimo e respeitoso
Era comum cantar-se na sala, junto ao presépio. Os Instrumentos eram improvisados como por exemplos:
Colheres
Garrafas
Pandeiros feitos à mão
Caixas de madeira
O Dia de Reis marcava “novo começo”
Para muitos madeirenses antigos depois dos Reis arrumava-se a casa
Começavam novos trabalhos
Faziam-se promessas para o ano
Era visto como um fecho espiritual do ano anterior.
Ainda hoje, na Madeira, os Reis não são espetáculo, são vivência, unem vizinhos, famílias e gerações e mantêm viva a identidade cultural da ilha.
Tal como no resto de Portugal, come-se o Bolo-Rei.
Antigamente havia a tradição da fava e do brinde (hoje quase desaparecida).
O Dia de Reis celebra a visita dos Três Reis Magos:
Gaspar
Melchior
Baltasar
Segundo a tradição cristã, os Reis Magos vieram do Oriente guiados por uma estrela e ofereceram:
Ouro (realeza)
Incenso (divindade)
Mirra (humanidade e sofrimento).
A Madeira preservou muito bem as tradições orais e musicais.
Os cantares de Reis misturam:
Fé
Cultura popular
Espírito comunitário
Antigamente, era também uma forma de levar alegria às casas e ajudar famílias mais pobres (com comida e partilhas)
Uma curiosidade madeirense é que o Dia de Reis é muitas vezes visto como o verdadeiro encerramento das festas de Natal quando depois dos Reis se desmontam os presépios e se guardam os enfeites de Natal.
Feliz dia de reis.
Bom ano novo.
c.e.a.
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